Blind Date with a Book de fevereiro: quando a fantasia e o romance se encontram


Avis, o segundo livro do autor Filipe Santos, foi lançado no fim do ano de 2020 e, como a sua obra Lago me conquistou por completo, li-o assim que consegui.


Os dois livros têm dois elementos em comum muito interessantes: a fantasia e o romance. Gosto bastante destes elementos num livro e a maneira como o autor consegue inserir o aspeto de fantasia nos seus livros é tão natural que parece que existe mesmo.


Avis conta-nos a história de um monge que sai do templo com o objetivo de acompanhar a avó nos seus últimos dias de vida e acaba por se apaixonar por uma jovem que lhe mostra tudo o que existe na Humanidade.


Eis a sinopse:


Filipe Santos mistura, habilmente, fantasia e romance numa estranha história de amor que acontece num universo mágico onde mortais convivem com a ira e o poder dos Márias, os Deuses. Unindo o melhor do real e do fantástico, “Avis” conquista de imediato a atenção pela crescente tensão narrativa, envolvendo o leitor na conturbada atmosfera que opõe à sedutora relação amorosa os inesperados e caprichosos desígnios de seres eternos.


Atenção: a partir daqui haverá muitos spoilers!





No início dos tempos, quando os Márias criaram os humanos, eles lançavam um bando de falcões que os vigiavam. Eram os olhos deles, dos deuses, e contavam-lhes tudo o que os mortais faziam aprendiam.

Uma das coisas que me deixou completamente fascinada foi a fantasia neste livro. Diferentes da mitologia que existe em Lago, mas igualmente fantástica. Somos apresentados ao mundo dos Márias, deuses deste mundo fantástico, que outrora tiveram um grande poder entre os humanos, mas hoje em dia são um mero símbolo para alguns.


... lembra-te que as palavras têm poder e são sagradas...

Para a nossa personagem principal, Pema, a Deusa da Lua não é um mero símbolo, pois vive no seu templo e cuida das aves. Quando recebe uma carta a dizer que a sua avó está a viver os seus últimos dias, o dilema dentro do jovem é aceso e, com algum esforço, consegue convencer o seu superior a deixá-lo ir.


... o humano ataca simplesmente por atacar, consegue plantar ódio sem razão para a colher.

Com a sua saída do templo, fica autorizado a quebrar o seu voto de silêncio. No entanto, Pema continua a ser um humano de poucas palavras, até ao momento em que conhece Elena. Esta jovem mostra-lhe tudo o que existe no ser humano, desde o amor à inveja.


A história aborda ao longo de todo o livro os sete pecados mortais, o que provoca um contraste imenso com a vida de castidade que Pema levava no tempo. Por outro lado, também nos deixa mensagens e lições de vida muito importantes e que podem ser destacadas para inspiração futura, quando nos sentirmo mais em baixo ou tristes.


Não brinques com os mortais nobre Mária (...), sabes bem que não são eternos como nós... sabes bem que têm bem mais valor que qualquer um de nós.

A peça central continua a ser Elena, que provoca a Deusa da Lua ao tomar Pema para si. Entramos num jogo de forças entre a Deusa e Pema e até mesmo entre a Deusa e a Humanidade. Os presságios e pressentimentos são imensos e todos eles têm um objetivo: fazer com que Pema regresse ao templo porque a Deusa o quer só para si.



... há dores que nos tiram pessoas, mundos, não por mal, mas porque é necessário para crescermos...

Um livro muito bem construído e perfeito para quem gosta de se surpreender pela escrita de um autor nacional que é exímio na criação dos seus mundos de fantasia.



Escrito por: Livreira Ana Teresa

Licenciada em Tradução pela University of Westminster (Londres), ama livros desde muito pequena.


O seu género literário preferido é Fantasia e YA. Agradece todos os dias pela trilogia ACOTAR (A Court of Thorns and Roses), de Sarah J. Maas, e pelo mundo de Shadowhunters, de Cassandra Clare, estarem presentes na sua vida.

5 visualizações

Posts recentes

Ver tudo
  • Facebook
  • YouTube
  • Instagram

© 2020 Livraria Good Books

livraria.goodbooks@gmail.com

Termos de Uso

Política de Privacidade