Será que valorizamos a leitura?


Escrevo este post motivada por algo que vi há alguns dias num supermercado.


Costumo ir ver sempre as novidades dos livros. Posso não comprar, mas gosto de ver as novidades expostas porque me dão uma noção espacial diferente do que ver os pré-lançamentos na internet.


O que assisti deixou-me petrificada. Nem consegui agir no momento.


Um casal de idosos queria comprar uma prenda para um pequeno. Folheavam os livros para crianças com uma fúria motivada pela frustração de não estarem a encontrar algo digno de oferecer.


O que faziam aos livros quando não os consideravam dignos de presente era pior. Há alguns supermercados que têm uns expositores especiais para que os livros tenham as capas meio enviosadas e, assim, facilitar a visualização da capa. Pois bem, este casal de idosos não se dignou a compreender que, em vez de voltar a colocar o livro direitinho, tinha que o inclinar um pouco para o lado. Os livros acabavam por cair para o chão.


Bem, acho que já aconteceu a todas as pessoas. Quando trabalhava na livraria física, acontecia-me frequentemente que um livro fosse parar ao chão. Não há problema. Apanha-se do chão e coloca-se numa superfície, certo?


Este casal de idosos deixou os livros no chão.


Após várias tentativas frustradas a folhear livros, viraram-se para o outro lado do corredor e preferiram escolher um jogo arrapazado, um jogo de legos para montar. Com uma caixa grande, para causar uma grande surpresa.


Fiquei incrédula. E confesso que a minha inação também me deixou um pouco desconfortável porque não consegui agir no momento. Peguei nos livros que tinham ficado no chão e coloquei-os de volta na estante. Foi o mínimo que consegui fazer. Infelizmente, não foi o máximo.


Enquanto ia para casa, ponderei sobre estes dois gestos tão displicentes: em vez de respeitar um livro, é melhor deixá-lo no chão e não aprender como a estante de livros de um supermercado funciona; em vez de levar um livro, é melhor levar um jogo de peças bem grande.


Ao longo dos últimos anos temos visto estatísticas que nos entristecem todos os dias: Portugal anda a ler menos (fonte). Concordo, mas também acho que há muita coisa que estas estatísticas não cobrem, como foi explorado no artigo escrito pela Leonor onde explora as diferentes maneiras que as gerações mais novas estão a encontrar para continuar a consumir histórias. No entanto, há uma questão muito relevante:


Será que valorizamos a leitura?


Afinal, falamos sempre do aspeto negativo e dizemos que é importante ler, mas porquê? O que tem um livro de tão especial para estarmos a bater constantemente nesta tecla? Por que é importante valorizarmos a leitura?


Três pontos importantes sobre a importância de lermos:


  1. Aprendemos sempre algo, seja um livro de ficção ou de não-ficção. A informação é fidedigna.

  2. A leitura ajuda-nos a compreender. É muito importante ler livros quando estamos na escola para entendermos... Matemática. Sim, isso mesmo! O puzzle dos problemas de Matemática é mais decifrável se lermos nos mais diversos géneros porque o truque está na compreensão e interpretação do texto.

  3. Um livro é um enriquecimento cultural que fica para a vida toda. Quando lemos, não podemos esquecer. Quando lemos algo que muda algo dentro de nós, não há volta a dar. Dói? Pega que é teu e cuida (ouvi isto algures no Facebook e adorei!).


O que retirei desta observação num dia banal no supermercado?


Ninguém nos vai ensinar para a vida toda, mas os livros, sim. Ninguém nos vai enriquecer culturalmente a não ser que isso venha de dentro de nós.

Enquanto sociedade, cabe a nós tentar combater esta necessidade de escolher o que é mais fácil (um jogo) e ultrapassar a frustração de termos que passar mais do que cinco minutos a escolher o livro perfeito para alguém.


Cabe a nós olharmos para um livro, valorizá-lo e vermos o mar de possibilidades que ele pode abrir.



Escrito por: Ana Teresa Barreiros

Licenciada em Tradução pela University of Westminster (Londres), ama livros desde muito pequena. 


O seu género literário preferido é Fantasia e YA. Agradece todos os dias pela trilogia ACOTAR (A Court of Thorns and Roses), de Sarah J. Maas, e pelo mundo de Shadowhunters, de Cassandra Clare, estarem presentes na sua vida.

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